Reforma Tributária · guia para o empresário

Split payment: a partir de 2027, o imposto sai do pagamento antes de chegar na sua conta

O governo criou um jeito novo de cobrar imposto: em vez de você receber o valor cheio e recolher depois, o IBS e a CBS são separados na hora em que o cliente paga e vão direto ao Fisco. Você recebe o líquido. Este guia explica, sem tecniquês, o que muda no seu caixa, quando começa e o que fazer.

Base: LC 214/2025 · Decreto 12.955/2026 · Resolução CGIBS 6/2026

EM VÍDEOSplit payment explicado para o dono da empresa

O essencial em 4 pontos

O que é o split payment — e por que ele mexe com o seu caixa

Hoje, quando um cliente te paga, o dinheiro cai inteiro na sua conta e você recolhe o imposto semanas depois. Com o split payment, o banco separa a parte do imposto no momento do pagamento e manda direto para o governo. Você recebe só o líquido.

01

O imposto é retido no pagamento

Pix, boleto, cartão ou transferência: o sistema lê a nota fiscal vinculada ao pagamento, separa o IBS e a CBS e repassa direto ao Fisco. O valor do imposto deixa de passar pelo seu caixa.

02

Só vale para IBS e CBS

O split não retém "todo" o seu imposto. Ele alcança apenas os novos tributos sobre consumo. IRPJ, CSLL, INSS e a folha continuam sendo pagos como hoje, por guia.

03

Simples (dentro do DAS) e MEI ficam fora

Se a sua empresa permanece no Simples recolhendo tudo na guia única — ou é MEI —, o split não se aplica às suas vendas: você recebe o valor cheio e paga o DAS como sempre. Mas atenção: ao comprar de fornecedor do regime regular, o split incide sobre esse pagamento.

04

Começa gradualmente em 2027

2026 é ano de testes. A partir de 2027 o split entra em fases, começando por pagamentos entre empresas — e a obrigatoriedade ampla, incluindo vendas ao consumidor, vem depois, em etapa ainda sem data fixada.

"O imposto que você usava como capital de giro por 30, 40 dias deixa de existir como capital de giro. Essa é a mudança."


A linha do tempo do dinheiro

Hoje o imposto dorme no seu caixa. Amanhã, nem passa por ele.

Saldo em conta · duas vendas de R$ 1.000 (imposto de 6%)
R$ 0 1.000 2.000 29/06 30/06 20/07 − R$ 120 imposto
Hoje · pico do saldo
R$ 2.000

O imposto (R$ 120) só sai no dia 20/07. Até lá, os R$ 2.000 inteiros ficam no seu caixa — dá para pagar folha, fornecedor, aluguel com esse dinheiro.

Com split · pico do saldo
R$ 1.880

Cada venda já entra líquida (R$ 940). O saldo nunca chega aos R$ 2.000 — os R$ 120 de imposto nunca passaram pela sua conta.

O destino final é o mesmo (R$ 1.880): o split não aumenta imposto. O que muda é o caminho. Hoje o seu saldo sobe até R$ 2.000 e você usa esse pico por semanas antes de pagar a guia. Com o split, o pico nunca acontece — e é esse pico que muita empresa usava, sem perceber, como capital de giro.

Por que o governo fez isso? Duas razões: sonegação e inadimplência. Se o imposto não passa pela empresa, ninguém "esquece" de pagar — e a venda sem nota fica muito mais difícil, porque o pagamento eletrônico passa a ser casado com o documento fiscal. Vale saber: o split só funciona em pagamentos eletrônicos (Pix, cartão, boleto, transferência). Em dinheiro vivo, o recolhimento continua sendo feito depois, do jeito tradicional. Para o Fisco é um avanço enorme. Para o seu caixa, é um aperto que precisa ser planejado.

A Reforma Tributária vai mexer no caixa da sua empresa

A Greggio explica, com os seus números, exatamente onde o split payment aperta — e o que dá para fazer antes de 2027.

O exemplo em reais

A mesma venda de R$ 10 mil, antes e depois do split

Prestador de serviço vendendo para outra empresa (B2B), fora do Simples. Alíquotas ilustrativas: CBS estimada em 8,8% mais IBS de 0,1% em 2027 — a alíquota oficial ainda será fixada pelo Senado.

Nota fiscal de serviço · R$ 10.000 + IBS/CBS destacados O que cai na conta e quando o imposto é pago
Simulação · alíquotas estimadas
MomentoHoje (sem split)2027+ (com split)
Cliente paga a notavia Pix ou boleto, no vencimentoR$ 10.890 caem na sua contaR$ 10.890 saem da conta do cliente
Retenção do IBS/CBS8,9% destacados na nota— nada é retido(R$ 890) vão direto ao Fisco
O que entra no seu caixa no diaR$ 10.890R$ 10.000
Quando o imposto é pagoNo mês seguinte, por guiaNo instante do recebimento
Dias com o imposto no seu caixa≈ 30 a 50 dias0 dias
O total pago pelo cliente e o imposto devido são os mesmos nos dois cenários — o split não aumenta imposto. O que muda é o momento: você perde o intervalo em que esse dinheiro trabalhava para você. Numa empresa que fatura R$ 100 mil/mês com 9% de IBS/CBS, são R$ 9 mil por mês que deixam de circular pelo caixa — todo mês, para sempre.
Atenção "Então vou receber 90 e pronto?" — quase, mas tem 3 detalhes que mudam tudo

1 · Não é o imposto inteiro, é só IBS e CBS. Circula por aí a ideia de que "10% de imposto = recebo 90". O split retém apenas os novos tributos sobre consumo. Seu IRPJ, CSLL e encargos de folha continuam sendo pagos por guia, como hoje. A retenção é sobre o que está destacado na nota.

2 · Quem está no Simples, dentro do DAS, fica fora. A empresa que permanece no Simples Nacional recolhendo tudo na guia única não sofre split: recebe o valor cheio e paga o DAS normalmente. O split alcança quem apura IBS e CBS por fora — Lucro Presumido, Lucro Real e o Simples "híbrido".

3 · O sistema desconta os seus créditos. Na modalidade principal (o split "inteligente", para vendas entre empresas), a retenção considera os créditos que você tem a receber — o que você pagou de IBS/CBS nas suas compras. E se retiverem a mais, a regra prevê devolução do excesso em até 3 dias úteis. Não é um confisco cego do valor bruto.


E na minha empresa?

O split payment no seu regime tributário

Simples Nacional · dentro do DASNas suas vendas, fora do split: recebe o valor cheio e paga a guia única. Mas quando você compra de fornecedor do regime regular, o split atua sobre esse pagamento. E em setembro de 2026 abre a janela do regime "híbrido" — quem optar entra na lógica do split nas próprias vendas. Decisão que merece conta, não impulso.
Simples híbridoDentro do split para o IBS e a CBS apurados por fora. Em troca, sua empresa gera crédito cheio para clientes PJ — o que pode valer muito se você vende para outras empresas. O restante do Simples continua no DAS.
Lucro Presumido e Lucro RealDentro do split. A primeira fase, a partir de 2027, foca os pagamentos entre empresas (Pix, boleto, TED e transferências), de forma gradual. Vendas ao consumidor final entram na etapa seguinte, com percentual simplificado de retenção.
2026

ano de teste: o split roda em piloto, sem reter de verdade. É a hora de preparar a casa de graça.

2027

início gradual, primeiro entre empresas — e a nota fiscal passa a viajar junto com o pagamento.

2033

sistema pleno: split universalizado junto com o fim da transição da Reforma.

Onde isso dói na prática

Os 5 apertos que o split payment cria no dia a dia

Nenhum deles é o fim do mundo. Todos são administráveis — para quem enxerga o caixa com antecedência. O problema é para quem descobre no susto.

1 · O capital de giro encolheAquele "colchão" invisível entre receber e pagar o imposto some. Empresa que já opera no limite — folha apertada, fornecedor esperando — vai sentir no primeiro mês. É a mudança mais importante e a menos falada da Reforma.
2 · O caixa fica "quebrado"Cada recebimento entra líquido, com valor diferente do combinado no contrato. Quem controla em planilha — a pessoa do financeiro conferindo extrato na mão — vai penar para conciliar o que entrou com o que foi vendido.
3 · Preço e contrato precisam de revisãoOrçamentos, propostas e contratos de longo prazo foram feitos pensando no valor cheio caindo na conta. Prazo de pagamento, parcela e reajuste precisam considerar que agora entra o líquido.
4 · Cancelamento e devolução ficam mais chatosVenda cancelada depois do pagamento? O imposto já foi para o Fisco. A regra prevê mecanismos de devolução, mas é mais um processo para acompanhar — e mais um motivo para a nota fiscal sair certa da primeira vez.
5 · Antecipação de recebíveis muda de contaQuem vive de antecipar cartão ou duplicata vai antecipar sobre valores líquidos, menores. O custo financeiro proporcional sobe — mais um motivo para depender menos de antecipação.
O outro lado: crédito mais rápidoNem tudo é aperto. Como o imposto da cadeia é pago na hora, o crédito das suas compras também se confirma mais rápido — e vira crédito financeiro com mais agilidade do que no sistema atual.

Um exemplo de quem vai sentir forte: a construtora que recebe por medição. Cada medição liquidada já vem com o imposto separado — e obra tem cronograma financeiro apertado por natureza. Outro: o prestador de serviço B2B com contrato mensal, que hoje usa o intervalo do imposto para fechar a folha do dia 5. E o comércio, quando a etapa do consumidor final chegar, vai ver cada venda no cartão entrar líquida, com retenção por percentual padrão.

Quer saber o tamanho do impacto na sua empresa?

A conta é simples de fazer com os seus números: faturamento, alíquota e prazo médio de recebimento. A gente faz com você em uma reunião.


Plano de ação

O que fazer em 2026 para o split não te pegar de surpresa

Este ano é o ensaio geral com ingresso grátis: o sistema roda em teste, sem reter de verdade. Quem se prepara agora chega em 2027 sem susto.

  1. Projete o caixa recebendo o líquidoRefaça a projeção dos próximos meses tirando o IBS/CBS de cada recebimento. O buraco que aparecer aí é o seu número de preparação.
  2. Meça quantos dias de folga você perdeFaturamento × alíquota × dias entre receber e pagar imposto hoje. Esse é o capital de giro que precisa ser reposto — com sobra de caixa, prazo de fornecedor ou linha de crédito contratada antes da pressa.
  3. Renegocie prazos nas duas pontasEncurtar recebimento e alongar pagamento vira questão de sobrevivência de caixa, não de conveniência.
  4. Revise preço e contratos longosContrato que atravessa 2027 precisa considerar o recebimento líquido — e, se for o caso, cláusula de reequilíbrio.
  5. Capriche na nota fiscalNo mundo do split, a nota é quem comanda o dinheiro. Nota errada = retenção errada = dor de cabeça para reaver. E crédito seu depende de nota certa do fornecedor.
  6. Aposente a planilha do financeiroCom recebimentos líquidos e valores quebrados, o controle manual não para em pé. Você vai precisar de um sistema que concilie o que entrou com o que foi vendido — sozinho.
Flow Finance — sistema de gestão financeira da Greggio

Como a Greggio resolve isso

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A Greggio desenvolveu o Flow Finance, nosso sistema próprio de gestão financeira — incluído no honorário contábil de todos os clientes, sem mensalidade à parte.

Painel de fluxo de caixa do Flow Finance com entradas, saídas e saldo do período
Movimento integrado

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A movimentação bancária entra no sistema e é conciliada com apoio de IA. Você vê entradas, saídas e para onde o dinheiro foi — sem digitar nada em Excel. E com o split, ver o líquido que entrou vira essencial.

Tendência do fluxo e evolução do saldo acumulado no Flow Finance
A pagar, a receber e alerta de caixa

O buraco aparece antes

Contas a pagar, valores a receber, controle de fornecedores e projeção do saldo. Se o caixa vai ficar negativo dali a três semanas, você fica sabendo hoje — que é quando ainda dá tempo de agir.

Ranking de maiores fornecedores e concentração de pagamentos no Flow Finance
Número + leitura + decisão

Com um contador do seu lado

O sistema mostra o número; o seu contador responsável lê com você: impacto do split, escolha de regime, preço, prazo. É a combinação que planilha nenhuma — e contabilidade barata nenhuma — entrega.

O split payment vai punir quem administra o caixa de memória. Quem enxerga o fluxo com antecedência atravessa 2027 sem drama.


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Perguntas frequentes

Split payment: o que todo empresário está perguntando

Não. O valor do imposto é o mesmo — o que muda é o momento e o caminho do pagamento. Em vez de o dinheiro passar pela sua conta e você recolher depois por guia, a parte do IBS e da CBS é separada no instante em que o cliente paga e vai direto ao Fisco. O impacto não é de carga tributária: é de fluxo de caixa, porque você perde o intervalo em que esse dinheiro ficava com você.

Em 2026 o sistema roda em ambiente de testes, junto com o piloto da CBS, sem retenção real. A partir de 2027 começa a implantação gradual, com foco inicial nos pagamentos entre empresas (Pix, boleto, TED e transferências), de adesão progressiva. A obrigatoriedade ampla, incluindo as vendas ao consumidor final com percentual simplificado de retenção, vem numa segunda etapa, cuja data será definida por ato conjunto da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. A universalização acompanha o fim da transição da Reforma, em 2033.

Se a sua empresa permanecer no Simples recolhendo tudo dentro do DAS, não: você continua recebendo o valor cheio e pagando a guia única como hoje. O split alcança quem apura IBS e CBS pelo regime regular — Lucro Presumido, Lucro Real e as empresas do Simples que optarem pelo regime híbrido, apurando os novos tributos por fora do DAS. Essa opção tem janela própria e deve ser decidida com simulação, porque envolve trocar simplicidade e caixa por crédito para os seus clientes.

Não — esse é o mal-entendido mais comum. O split retém apenas o IBS e a CBS destacados na nota fiscal daquela operação. IRPJ, CSLL, contribuições sobre a folha e os demais tributos continuam sendo apurados e pagos por guia, como hoje. Além disso, na modalidade voltada a operações entre empresas, o sistema considera os créditos que você tem direito e prevê a devolução de eventuais retenções a maior em poucos dias úteis.

A regulamentação prevê mecanismos de devolução e ajuste para cancelamentos e devoluções, mas alguns detalhes operacionais ainda estão sendo definidos — como o tratamento de boletos pagos parcialmente e a integração com antecipação de recebíveis. Na prática, cancelamento vira um processo a acompanhar, e a emissão correta da nota na primeira vez fica ainda mais importante.

Três coisas: projetar o fluxo de caixa considerando recebimentos líquidos, para medir o tamanho do impacto na sua operação; revisar prazos, preços e contratos que atravessam 2027; e organizar o controle financeiro num sistema que concilie automaticamente o que entra com o que foi vendido — porque com valores líquidos e quebrados, a planilha manual deixa de dar conta. Se a sua empresa está no Simples, some uma quarta: decidir com conta na mão se vale ou não o regime híbrido na janela de opção.

O split payment vai apertar o caixa de quem não se preparar

A Greggio projeta o impacto com os seus números, organiza o seu financeiro no Flow Finance — incluído no honorário — e fica do seu lado em cada decisão até 2033. Sem drama, com conta.

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